Para! Respira. Agosto Chegou.

Eu sempre tive a teoria de que agosto é o mês mais demorado do ano. Não sei exatamente a base dessa teoria (que parece assolar a internet desde seus primórdios), então vou acreditar completamente às vozes da minha cabeça. Mas já virou senso comum de que todo ano a sensação é de estar vivendo 6 meses dentro de 1, como se a gente entrasse em um limbo atemporal (com a excessão de 2020 que meteu agosto inteiro em 5 dias).

Dito isso, é importante ressaltar que acabamos de entrar no limbo atemporal chamado agosto, e eu gostaria de questionar o que porra foi feita deste ano? Honestamente. De repente 8 fucking meses já se passaram, e apesar de eu estar vivendo um dos momentos mais turbulentos da minha vida, a sensação de não estar fazendo nada é uma coisa muito real. 

Estamos no meio de uma pandemia e obviamente que ninguém deveria estar fazendo nada de muito excitante a não ser bebendo água, cuidando da sua saúde mental e criando contas no TikTok, mas a realidade de muitos é bem diferente e a maioria não tem como opção ficar dentro de casa. Ainda bem que quase dois anos depois desse vírus do caralho aparecer, um pouco de esperança começa a surgir no coraçãozinho da humanidade, mas não vamos ficar muito animados com isso não. Ainda tem muita gente morrendo e a pandemia não acabou.

Pra começar o relato da minha nada excitante trajetória até aqui, eu peguei um cházinho de camomila e botei uma música legal;

Vamos de retrospectiva: Julho 2020 - Julho 2021. 

Eu troquei de profissão algumas vezes nesse período. No começo da pandemia eu ainda era secretária, virei desempregada, passei alguns meses com este status, virei cuidadora de idosos (e que merece alguns textos apenas sobre esse fato), depois barista e de volta ao escritório. Não foram transações sutis, como pode parecer. Pra se ter uma ideia os 3 últimos empregos foram emendados um no outro, e eu fiquei 5 semanas trabalhando sem folga, todos os dias, de segunda a segunda, enquanto ainda estudava. Eu não faço ideia de como cheguei viva até este momento.

Nesse meio tempo eu também decidi fazer um mestrado (e eu queria dar na cara do meu eu do passado que achou que essa seria uma boa ideia) em uma área que eu jamais tinha imaginado me envolver de novo e que tem sido uma das experiências mais difíceis que eu podia imaginar. Veja bem, eu sou formada em ciência da computação (e também produção publicitária, mas não vem ao caso); estatística nunca foi o meu forte e isso já tinha ficado bem claro na minha primeira graduação que já foi uma matéria complicada pra passar, e eu decidi entrar num mestrado em que a base do curso é 100% estatística. O que eu tinha na cabeça? Merda, certamente, coisa boa e pensamentos divinos é que não eram. Mas vida que segue. 

Também comecei e terminei um relacionamento, e a situação atual desta tour é uma coisa muito complicada que não merece muito comentário a respeito, pois nem as pessoas envolvidas são capazes de explicar qualquer coisa sobre essa situação. 

De quebra eu ainda tive que mudar de casa, procurar uma vaga nova com um preço bacaninha, enquanto tudo acima acontecia ao mesmo tempo. 

Quando tudo começou a virar de cabeça pra baixo

Todo mundo precisa concordar que a vida começou a andar pra trás quando esse COVID decidiu aparecer, no entanto, com todo o caos acontecendo com o mundo, num panorama pessoal, eu não tava tão na merda assim. 

Eu não sei exatamente qual foi o Deus ou Santo que eu deixei realmente puto com a minha fuça, mas a verdade é que a minha vida decidiu dar um mortal carpado no mar da vida no final do mês de abril. Não sei se vocês estão familiarizados com o arcano 16 do tarot: A Torre. Mas eu vou deixar a carta aqui embaixo para um breve vislumbre. Não precisa de muitos detalhes pra entender o que ela representa.

A torre desabando, pessoas pulando por todos os lados pra tentar se safar, o caos acontecendo. E era exatamente assim que eu via a minha vida naquele momento. Muito embora, simbolicamente falando, essa é uma carta turbulenta, mas que não necessariamente aparece pro mal, muito pelo contrário. 

Juro que achei que eu fosse entrar em colapso a qualquer momento e alguém teria que mandar o resgate com destino final pro sanatório, porque eu estive a um passo de perder completamente o juízo (na verdade ainda estou, pois a saga ainda não acabou). Mas as coisas estão ficando melhores. Pelo menos é assim que eu tenho tentado encarar daqui pra frente. 

Agosto de 2021

É bizarro olhar pra toda uma vida que aconteceu em um período tão curto de tempo e ainda assim ter a sensação de que 8 meses se passaram sem que você tivesse feito nada de realmente útil. E não foi bem isso o que realmente aconteceu. 

Em todos esses anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que eu estou na torcida de que este mês seja mais um dos agostos que eu estou acostumada e que demoram uma vida inteira pra passar, porque eu já não aguento mais essa sensação de estar correndo o tempo inteiro e nunca ter tempo pra absolutamente nada.

Vai devagar ai, tempo, eu ainda quero ser xóvem.

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